Principais erros de marketing médico que comprometem a reputação e a segurança profissional
- Ana Carolina Pereira
- Nov 19, 2025
- 3 min read
O marketing médico é permitido, mas altamente regulamentado. Quando descumprido, pode gerar processos éticos, civis e até criminais, além de ações indenizatórias e investigações em Conselhos Regionais de Medicina.
A seguir, estão os principais erros cometidos pelos médicos no marketing — todos analisados pelo ponto de vista jurídico e normativo.
1. Publicar fotos de “antes e depois” sem respaldo jurídico
Embora muito difundido nas redes, esse é um dos maiores motivos de denúncias nos CRMs.
Problemas jurídicos mais comuns:
Violação direta da Resolução CFM nº 2.336/2023;
Exposição indevida da imagem do paciente;
Uso sem autorização compatível com a LGPD;
Criação de expectativa de resultado (o que pode gerar responsabilidade civil).
Mesmo quando o paciente autoriza, a lei entende que há hipervulnerabilidade — o que torna a autorização questionável judicialmente.
2. Promessas de resultados e garantias terapêuticas
Frases como:
“garantia de resultado”,
“zero riscos”,
“resultado definitivo”, violam frontalmente o Código de Ética Médica.
Do ponto de vista jurídico, isso pode configurar:
propaganda enganosa (CDC);
responsabilização civil objetiva;
imputação de culpa por erro médico (por expectativas irreais);
infração ética por falsear informações.
3. Divulgação de procedimentos como se fossem produtos estéticos
Médicos que tratam procedimentos médicos como "produtos" cometem infração ética. Exemplos:
falar em “pacotes”,
“promoções”,
“Black Friday”,
descontos por indicação.
Além de antiético, configura:
concorrência desleal;
infração sanitária;
infração ao Código do Consumidor.
4. Utilizar depoimentos de pacientes sem termo jurídico robusto
Mesmo com autorização, depoimentos com nome, voz, rosto ou contexto clínico podem violar a LGPD e o sigilo médico.
Problemas frequentes:
ausência de termo jurídico específico para finalidade de marketing;
termo genérico sem definição de prazo, escopo e revogabilidade;
risco de caracterizar exposição vexatória.
O médico pode responder civil e eticamente.
5. Não respeitar o sigilo profissional ao contar “casos clínicos”
Muitos profissionais relatam casos em redes sociais acreditando que basta “não mostrar o nome”. Errado. A LGPD considera identificável qualquer informação que permita deduzir quem é o paciente.
Isso pode gerar:
processo por violação de sigilo;
responsabilização civil por dano moral;
processo ético no CRM;
quebra de sigilo profissional.
6. Ultrapassar limites de autopromoção
A Resolução CFM é explícita: o médico não pode transformar sua atuação em espetáculo.
Do ponto de vista jurídico, a autopromoção excessiva pode ser interpretada como:
prática antiética;
concorrência desleal;
infração publicitária;
falsa especialidade (quando divulga serviços não compatíveis com títulos registrados).
7. Indicar especialidades ou títulos que o médico não possui
Erro comum e extremamente grave.
Divulgar-se como especialista sem RQE pode configurar:
infração ética;
exercício ilegal de especialidade;
propaganda enganosa;
responsabilização por danos se o resultado não corresponder ao prometido.
8. Não cumprir normas da ANVISA e do CFM em publicações sobre medicamentos, lasers ou tecnologias
Publicar detalhes de máquinas, marcas específicas, nomes comerciais de medicamentos, supostos “benefícios exclusivos” do consultório, pode gerar denúncias por:
publicidade irregular de fármacos;
promoção de dispositivo médico não autorizado;
conflito de interesse não declarado.
9. Falta de registro jurídico das autorizações de uso de imagem
Muitos médicos usam:
formulários de internet,
autorizações genéricas,
prints de WhatsApp.
Do ponto de vista jurídico, esses documentos são frágeis.
Autorização robusta deve conter:
finalidade específica;
permissão para uso comercial;
prazo de validade;
possibilidade de revogação;
proteção contra exposição vexatória;
assinatura eletrônica válida.
Sem isso, qualquer publicação pode se tornar objeto de denúncia.
Conclusão
O marketing médico exige rigor jurídico, não apenas estética ou estratégia comercial. Erros aparentemente simples geram:
denúncias nos CRMs;
processos civis por danos morais;
investigações por violação de sigilo;
risco reputacional profundo;
dificuldade de defesa em casos de litígio.
Médicos e clínicas que seguem normas éticas e legais se protegem e constroem uma atuação mais segura, profissional e sustentável.



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